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Obra humana

O autor de histórias fantásticas redigiu um conto com um enredo nunca antes sucedido, escrito ou imaginado – três crianças, pastorinhos, vêm a Nossa Senhora num ermo rochoso, e a aparição entrega-lhes uma mensagem de vida ou de morte para o mundo, uma mensagem tão espantosa e tão terrível que é dividida em três partes para minimizar o efeito, e impedir o pânico das multidões. Dois dos pastorinhos morrem, e fica o terceiro vivo, de forma análoga, mas não síncrona, ao que acontece com a dita mensagem dos céus, as duas primeiras partes são reveladas ao vulgo, permanecendo o último terço da mensagem e o mais importante, oculto e fechado a sete chaves em cofres episcopais. É o Terceiro Segredo, o que nos salvará ou perderá, o Armagedão e a descida do Salvador. Então, escreve o contista, o terceiro pastorinho morre, e revela-se o Segredo, e o segredo é que não é segredo, nada para revelar, um balão cheio de ar, o mais raquítico dos ratos parido pela montanha mais grandiosa do mundo.

A mulher do contista lê as provas do conto, e esbarra no final.

- Que fim mais insípido, não o podias acabar de outra forma?

- Podia! – confessa ele – mas a verdade é que se ele ficar assim, prometeram-me que eu ingressava no Opus Dei!

Dicionário

                O “seu” dicionário não tinha muitas palavras, e entre estas, havia muitas quase virginais, intocadas, outras devassadas e p...