Os novos óbolos

Após muitos projectos gorados, e intenções que nem chegaram ao papel, construiu-se por fim a nova ponte, enorme, moderna e resplandecente, brilhando mesmo na metade posterior da ponte, habitualmente imersa na escuridão. A inauguração foi feita com pompa, e na presença de notáveis e dignatários de ambos os lados. Não se fez uma travessia inaugural da ponte por todos acharem que era supérflua, mas ninguém tinha dúvidas de que a obra tinha mérito e utilidade, iria por fim a longos desvios e travessias morosas e acabar com burocracias e intermediários.
Enquanto no tabuleiro da ponte se sucediam os discursos e os acepipes, sob um dos seus arcos um velho pedia esmola, era Caronte, o barqueiro do mundo dos mortos, inconformado por se ver assim, atirado para o desemprego, após tantos anos de trabalho dedicado.

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