m.o.

Criar uma criança exige dos pais, amplos recursos e processos imaginativos. Os pais do Diogo desde cedo se aperceberam de que o rapaz tinha um carácter obstinado e difícil, só fazia o que queria, e tinha em pouca conta a vontade ou a autoridade dos outros. Conseguiram-lhe acompanhamento psicológico, na mesma altura em que a mãe do Diogo descobriu, por um acaso, as virtudes da psicologia negativa - sempre que queria que o Diogo fizesse alguma coisa, dava-lhe ordens para realizar o acto oposto. Diogo, não comas a sopa! - e ele comia, mais tarde, Diogo, não te atrevas a arrumar o quarto! - e ele não descansava enquanto o quarto não ficava num brinco; ou, Diogo, não estudes para as provas! - e o Diogo corria a embrenhar-se nos seus livros e cadernos. Entretanto, os sucessivos psicólogos que o acompanharam durante anos, começaram finalmente a obter resultados, e o Diogo começou a revelar-se uma pessoa mais receptiva e enquadrada, mudança de que a mãe não se apercebeu, tão acostumada que estava à psicologia negativa. A revelação só se produziu nos preparos de um almoço de família. Diogo, sem ninguém lhe dizer nada, começara a preparar a salada, usando uma faca para migar o tomate. Nisso, a mãe, de volta dos tachos, disse-lhe a brincar: Diogo, atira-me a faca!

1 comentário:

  1. Gostei muito deste conto! Fantástico! Como se pode ver, há que se estar atenta ao filho, apenas isto, simplesmente!

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