INSTRUÇÕES:

Outros dados, e cartas, no final da página

Perdida

Sem saber quem era ou que nome tinha, encontrou-se sentada num banco de jardim às primeiras horas do dia, as roupas um pouco rasgadas, as faces ainda humedecidas pelas lágrimas. Um polícia encaminhou-a para a esquadra (suspeitava de trauma causado por violação).
Fizeram-lhe perguntas, mas em vão, ela não se lembrava de nada nem de ninguém, parecia nunca ter tido casa, parentes, ruas, ou animais de estimação. O seu rosto não coincidia com o das pessoas dadas como desaparecidas nos últimos dias e, coisa inaudita, não conseguiram recolher as suas impressões digitais. Parecia uma pessoa sem passado nem futuro, uma aparição momentânea no fio do tempo, e quando a psicóloga da esquadra tentava decifrar aquele enigma, apareceu alguém a reclamá-la. Era um escritor, aquela mulher pertencia-lhe, como não sabia bem o que fazer com ela, perdera-a de vista. Perante o espanto de todos, ela reconheceu-o e tratou-o com deferência, como a um pai; e aceitando o casaco que ele colocava sobre os seus ombros, saíram os dois da esquadra, o escritor e a sua personagem.

Dicionário

                O “seu” dicionário não tinha muitas palavras, e entre estas, havia muitas quase virginais, intocadas, outras devassadas e p...