Para-história

Miguel Ângelo acaba de esculpir a estátua de David, limpa o suor do rosto e contempla-a de um andaime, era uma estátua mas parecia em estado de tensão, como se fosse levantar-se naquele instante, as sombras provocadas pela luz dos archotes nos músculos dos membros davam a impressão de que eles se moviam, tal como o ricto dos lábios e as pupilas dos olhos. Como um Pigmalião ou um Zeus, estilhaçou o joelho da estátua com um golpe de maceta, e ordenou: "Ergue-te!". Mas a estátua não se moveu. Miguel Ângelo inclina a cabeça em gesto de arrependimento, e murmura: "Tens razão! Como é que te posso pedir isso, se acabei de te partir o joelho!".

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