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Os bares e a descompressão

Daniela trabalhava num Call Center, um emprego duro e esgotante com registos de produtividade, exigências, metas a cumprir - não se ganhava muito e tinha-se de dar o litro. A pressão era tanta que havia muitos que não aguentavam e se despediam, ou então, arrepiavam caminho na rotina diária com medicação aconselhada por amigos ou farmacêuticos. Daniela e alguns colegas mais chegados conseguiram arranjar um barómetro para a sala onde trabalhavam. Com ele, tinham logo a noção de como estava a pressão do ar, e se a situação permitia beber um café sem grandes preocupações ou se, pelo contrário, era melhor prevenirem-se e tomar um comprimido para os nervos. O Call Center trabalhava das nove da manhã às onze da noite. Num dia em que estivera a cumprir o último turno, Daniela apercebeu-se no regresso a casa que tinha esquecido a carteira no emprego. Voltou às pressas. As luzes estavam quase todas apagadas e já todos tinham saído menos o segurança de serviço. Pediu-lhe ajuda e ele acompanhou-a, e qual não foi o espanto dos dois quando, ao entrarem na sala, a pressão ser tão baixa que o ar ascendia em colunas verticais, fazendo as suas roupas agitarem-se num cálido turbilhão.

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