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Compinchas

Encontrei o meu colega Luís na entrada do Pub, estava com uns amigos.
- Estás sozinho? Estes tipos foram meus colegas quando eu trabalhava na Consultora. Vem para a nossa mesa, é pessoal porreiro.
O Luís apresentou-me aos outros, sentamo-nos todos a uma mesa no meio da atmosfera enevoada de fumo, e começaram a aterrar na mesa os tabuleiros com aperitivos e canecas de cerveja. A música ambiente era um nojo, mas ninguém parecia ligar.
- Jantamos todos juntos uma vez por ano, para por a escrita em dia - confidenciou o Luís, enquanto se desenrolava uma das histórias do grupo.
- ... quando estávamos a subir as escadas, é que o Matos decidiu verificar a minha peta, e baixou a cabeça para verificar se a Mariana do escritório trazia ou não cuecas, bem, naquele momento ela olha para trás e vê o Matos a querer espreitar por baixo das saias, e manda-lhe um coice no nariz com o tacão alto, que fez o Matos rolar pelas escadas aos gritos.
Gargalhada em coro, limpam-se algumas lágrimas de riso com as mãos ásperas do sal dos aperitivos.
- E quando chegamos à conclusão que o Matos nunca tinha estado com uma mulher e decidimos levá-lo a uma casa de putas. Lembram-se da cena? Nós sentados a uma mesa como agora, a beber uma cerveja, e elas sentadas no outro lado da sala, todas escancaradas, à espera que nós escolhêssemos uma delas. E o Matos, que ainda não se tinha apercebido onde nós estávamos, começou a fazer olhinhos para uma, e diz-me ele, muito baixinho, eu acho que hoje ainda vou engatar uma mulher. E digo eu: se precisares de dinheiro eu empresto-te, é só disso que elas estão à espera. Aí é que o tãtã topou, bebeu o resto da cerveja e diz-me com o ar mais sério do mundo: nunca pagarei para estar com uma mulher, se alguma for para a cama comigo, se não for por gostar de mim, pelo menos será por querer estar comigo.
- O Matos era mesmo um ponto. Lembram-se quando ele andou apaixonado por aquela miúda de dezoito anos que lá trabalhou no Verão? Nós convencemos o Matos a convidá-la para irem ao cinema ao fim de semana, o tipo lá foi a pretexto de tirar uma fotocópia e convidou-a, a gaguejar. Quando ela aceitou, o Matos veio pedir-me conselho. Digo-lhe eu, olha, pá, uma miúda como esta gosta de pessoas sensíveis e diferentes, nada melhor para a impressionar do que levares alguma coisa de diferente, como umas calças de suspensórios ou um boné com ursinhos. O que ele não sabia é que eu tinha pedido à Ana para dar a entender á miúda que o Matos era pedófilo. Ela ficou muito desiludida, e não foi. O Matos ficou duas horas à porta do cinema á espera dela, com umas calças de suspensórios e um ió-ió na mão. Duas horas naquele figurão! Tive pena de não estar lá para gozar o prato.
Uma nova gargalhada geral, e mais pedidos de cervejas. Uma e outra história se esgarçou em volta dos arrotos e das fugidas para o urinol, e sempre com o Matos como protagonista principal.
- E daquela vez no jantar da firma, em que a Ana decidiu sondar o Matos sobre as suas teorias sobre sexo. A Ana pergunta-lhe se ele sabia o que era o sexo oral, o Matos fez uma careta, e pôs-se a discorrer, bem, oral é da boca, sexo oral, deve ser a gente falar de sexo, não é? E vai logo a Ana - Então, estás a ter sexo oral comigo e eu ainda não senti nada! 
Mais uma gargalhada, e eu aproveitei para interpelar o Luís, que mastigava uma mão-cheia de amendoins.
- Vocês falam sempre do Matos no pretérito. O que é que aconteceu, ele morreu?
- N...não, O M..at...os não mo...rreu...foi o único que desistiu destes jantares....

 

Dicionário

                O “seu” dicionário não tinha muitas palavras, e entre estas, havia muitas quase virginais, intocadas, outras devassadas e p...