Redundância

Um rito de ablução, o duche no final do dia, ela fecha a cortina do duche, deixa correr a água quente sobre si, deliciada, e passa o sabonete no corpo.
Rivalizando com o som da água e a cantilena da jovem loura, soa muito ao fundo, numa intensidade crescente, a música de Psico, ela esfrega-se e não presta atenção, à música e ao vulto arrepiante que se forma no outro lado da cortina.
O assassino aproxima-se pé-ante-pé da sua vítima, com o punhal em riste. Antes de prepertar o acto, sente-se a transpirar com os vapores do banho, desenrola o cachecol do pescoço e pendura-o num bengaleiro que possui a forma inconfundível de um Hitchcock obeso com o braço estendido.
Recuperando a concentração, abre de rompante a cortina e recebe na cara o grito da beldade no duche, que possui a forma inconfundível de um Hitchcock obeso com cabeleira loura.
É então que atira o punhal ao chão, e desiste.

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