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O que havia antes

- O que havia antes? Perguntou-lhe ele na modorra dos corpos transpirados sobre os lençóis da cama.
Ela sabia ao que ele aludia, não era a primeira vez. O antes deles se encontrarem, antes daquele choque casual na confeitaria, o Faça-se Luz das primeiras palavras e do nascer de uma cúmplice intimidade.
- Antes houve uma manhã agitada de trabalho e as coisas da rotina, três autocarros para chegar ao emprego, o fulano que me cuspiu nos pés, o trabalho acumulado de Quarta-Feira.
- E antes?
- Uma semana de loucos, as provas no curso de escriturária, estudar até adormecer nesta mesma cama.
- E nesta mesma cama, em semanas anteriores, houve outros? Quantos houve e o que sentiste por eles?
- Não muitos, nada de importante nem para durar. Passaram por aqui, como alguém que bate à porta de uma Pousada onde não entra ou, se entra, não chega a pernoitar.
- E antes? Algum ficou para a manhã seguinte, para os dias e anos que se seguiram?
- Não para tantos anos como nós. Cinquenta! Teria de ter cento e vinte anos para isso ter acontecido...
- E antes?
- Não houve antes, começas a ficar sem tino. Tira-me este edredon de cima de nós, parece que estamos numa sauna, e guarda a dentadura que já te escorre baba da boca com tanta pergunta!



A sombra dos dias

               Um galão direto e uma torrada com pouca manteiga  - pediu a empregada no balcão à colega. Podia até ter pedido antes,...