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A mostrar mensagens de Abril, 2009

Mani-festa

Esse prodígio chamado 
pensar, pensar naturalmente sem escondermos o que pensamos,  dizer e escrever isto ou aquilo agora ou depois, quando e sempre que nos apetecer, ter a liberdade de sermos nós e pensar dentro da nossa cabeça, e transmiti-lo aos outros como se soltássemos um suspiro ou um vendaval,  e não ser as fôrmas de aço onde nos querem verter para sermos todos iguais e obedientes, cópias monótonas de uma matriz apodrecida
sermos livres e termos memória, e sabermos que há liberdade por ter havido Abril,

mas sobretudo,
ter a clarividência e a coragem de pensar que Abril não acabou 
e a Primavera não ficou no passado Recusar as tesourinhas que podam a nossa liberdade, e tentam silenciar as vozes e opiniões da Web, em nome de normas inócuas e interesses atrofiantes,
e florir de novo em cada Abril


O que havia antes

- O que havia antes? Perguntou-lhe ele na modorra dos corpos transpirados sobre os lençóis da cama.
Ela sabia ao que ele aludia, não era a primeira vez. O antes deles se encontrarem, antes daquele choque casual na confeitaria, o Faça-se Luz das primeiras palavras e do nascer de uma cúmplice intimidade. - Antes houve uma manhã agitada de trabalho e as coisas da rotina, três autocarros para chegar ao emprego, o fulano que me cuspiu nos pés, o trabalho acumulado de Quarta-Feira. - E antes? - Uma semana de loucos, as provas no curso de escriturária, estudar até adormecer nesta mesma cama. - E nesta mesma cama, em semanas anteriores, houve outros? Quantos houve e o que sentiste por eles? - Não muitos, nada de importante nem para durar. Passaram por aqui, como alguém que bate à porta de uma Pousada onde não entra ou, se entra, não chega a pernoitar. - E antes? Algum ficou para a manhã seguinte, para os dias e anos que se seguiram? - Não para tantos anos como nós. Cinquenta! Teria de ter cento e vin…

Concordância

O médico avisou o viúvo de que ele só tinha um mês de vida, no próprio dia em que a quiromante anunciou que estava prestes a encontrar o amor eterno. (Estranhamente, sentiu uma espécie de alegria íntima).

Determinado: Colocou a cabeça no cepo do carrasco, e murmurou: estou calmo, estou muito calmo, não me fazem perder a cabeça.

Irrealista: Colocou a cabeça no cepo do carrasco e praguejou: hei-de dançar na vossa tumba, nem que seja a última coisa que faça.
Snob: Colocou a cabeça no cepo do carrasco, e logo se queixou das lascas de madeira que lhe arranhavam o pescoço.

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«Apesar de todas as amizades, sempre na vida estamos sozinhos; o que é mais grave, mais doloroso, exactamente como o que é mais belo, passa-se apenas connosco. Entre um homem e outro homem há barreiras que nunca se transpõem. Só sabemos, seguramente, de uma amizade ou de um amor: o que temos pelos outros.«De que os outros nos amem nunca poderemos estar certos».

(Agostinho da Silva, “Sete Cartas a um Jovem Filósofo – Seguidas de Outros Documentos para o Estudo de José Kertchy Navarro”, I, VII, edição da Ulmeiro, 1990)

Argumento

- Não é preciso conhecer uma pessoa para se sentir amizade por ela - teorizou -uma pessoa perfeitamente estranha num bom momento, pode ser mais valiosa do que os alegados amigos que nos aturam há anos com condescendência.
- Achas mesmo isso? - É evidente. Hoje, no dia de hoje, os meus maiores amigos são a empregadita de pastelaria que me sorriu ao servir o pequeno-almoço, e me pediu desculpa por ter pingado o pires do galão, e o revisor que me desejou as maiores venturas quando saí do autocarro, o mendigo cego que adormeceu sobre o cesto das esmolas com o seu cão a vigiar-lhe o tesouro, e a jovem de óculos escuros na escada rolante do centro comercial, porque meneava a cabeça ao som alti-cantante dum velho êxito dos Smiths. Não os conheço e não sei se os voltarei a ver, mas pareciam ter luz própria, e anularam durante alguns momentos o meu tédio e o cansaço de andar entediado. - Boring! Não quero chatear-me contigo. E eu? Não sou teu amigo? Ou tenho de estar fardado de revisor? - Não perc…

Arvorados

Finalmente o calor, pensou, mas podia vir quando eu não precisasse de trabalhar na rua, e enxugando o suor, continuou a escavar um rego circular em redor de cada uma das árvores do pomar ao lado da casa.
- Então amigo, a praticar geometria? - meteu-se com ele o carteiro enquanto procurava uma carta na pasta sobrelotada - e você sabe como fazer uns círculos perfeitos. Quem diria, um homem da terra, a imitar Euclides. - Venha cá! - exortou, abrindo o portão ao carteiro - não é geometria, ainda que tudo seja geometria, do cubo de Rubik às notas de música. O que eu estou a fazer são regos para a água, e estão tanto mais afastados do tronco quando maior é a árvore. - Pensei que bastava fazer uma cova em volta do tronco... - Asneira! A árvore bebe pelas raízes, se você vir alguma árvore desenraizada, há-de notar que se dividir a altura do tronco em dois, das raízes superiores aos ramos inferiores, obtém uma imagem proporcional, quase simétrica, da árvore. Você, por água junto ao tronco, é o mes…

A Prisão do Ético

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Paulo Rodrigues Ferreira, um autor com quem me tenho cruzado em algumas páginas da Web (Minguante, Blogue das Artes, Veredas), e que possui um estilo de narrativa muito peculiar, corrosivo e raiado de humor negro, tem agora alguma da sua produção reunida num livro, A Prisão do Ético, publicado pela Livrododia Editores, de Torres Vedras.
A apresentação foi no dia 4 deste mês na livraria da editora, mas no dia 22, na Faculdade de Letras de Lisboa (detalhes infra), pode assistir a um novo lançamento da obra. Endereço ao Paulo, os melhores votos de êxito.

Só violas, eram catorze,
tambores e pandeiretas mais de cinquenta, e não havia cordas que chegassem para tantos dedos, nem baquetas, ou superfícies a percurtir. Mas o silêncio imperava no instante inicial da procissão dos mortos, no lugarejo mexicano de esqueletos nas portas, adornados de flores, cactos e fotos velhas e espinhosas, como no instante anterior à criação do mundo, com o universo suspenso, antes de explodir em luz e música.

Equívoco

Nunca se está seguro do quanto se ama e se é amado - o amor fê-la subir, julgava, ao sétimo céu, mas, por ironia, logo que lá chegou, esse sétimo céu revelou ser o mais fundo dos nove infernos.

Vinho e rosas

"Toma uma taça de vinho e vai bebê-la ao luar - a lua, no seu regresso pode já não te encontrar."

"Ergue um cantico festivo e consagra, em voz sonora o vinho da tua taça aos rubros clarões da aurora."

("Robaiyat")

Não tenho qualquer relutância ou repugnância em comprar ou manusear livros antigos, não sou um coleccionador nem especulador, e apenas me interessam os livros pelo seu conteúdo literário ou gráfico. Nas lojas e feiras de velharias, acaba-se sempre por encontrar algo de interesse, desde que se esteja disposto a despender algum (por vezes, muito) tempo à procura. Na última vez que fui á feira de velharias que se realiza no parque das Caldas da Rainha, entre várias aquisições por atacado de livros semi-novos, comprei por dois euros um pequeno livrinho que considerei um achado: O "Robaiyat - Quadras de Omar Khayyam, Poeta Persa do Século XI". Já tenho na estante uma edição, moderna, do Rubayat, mas esta edição de 1927 (da Empresa Diário de Notícias…

Mer

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Um respeito religioso, um espanto místico, é o que o mar pode suscitar num ser sensível - a primeira vez que se chegou ao pé do mar tinha cinco anos, era desconhecida e assustadora aquela imensidão de água, nunca vira nada de semelhante, era uma hipérbole louca da banheira grande dos pais onde gostava de brincar,
Com a água salgada a lamber-lhe os tornozelos, e tremendo de frio e medo, ajoelhou-se na água, e as suas mãos tactearam a areia, à procura da tampa de borracha para a puxar.

Redundância

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Um rito de ablução, o duche no final do dia, ela fecha a cortina do duche, deixa correr a água quente sobre si, deliciada, e passa o sabonete no corpo.
Rivalizando com o som da água e a cantilena da jovem loura, soa muito ao fundo, numa intensidade crescente, a música de Psico, ela esfrega-se e não presta atenção, à música e ao vulto arrepiante que se forma no outro lado da cortina.
O assassino aproxima-se pé-ante-pé da sua vítima, com o punhal em riste. Antes de prepertar o acto, sente-se a transpirar com os vapores do banho, desenrola o cachecol do pescoço e pendura-o num bengaleiro que possui a forma inconfundível de um Hitchcock obeso com o braço estendido.
Recuperando a concentração, abre de rompante a cortina e recebe na cara o grito da beldade no duche, que possui a forma inconfundível de um Hitchcock obeso com cabeleira loura.
É então que atira o punhal ao chão, e desiste.

Autor: Já não me preocupo com aquilo que escrevo, a minha editora trata de tudo - dei-lhes carta-branca para me editarem.
Amigo do Autor: E estás satisfeito com isso?
Autor: Humm! Médio...gostei do trabalho que eles fizeram no meu rosto, mas fico sempre um pouco atrofiado no meio desta capa dura, e nem posso sair á rua em dias de vento por causa das badanas...

religar

(Para a Maria)
Um poema de Miguel Torga:

Bucólica
A vida é feita de nadas: De grandes serras paradas À espera de movimento;
De searas onduladas
Pelo vento;

De casas de moradia
Caídas e com sinais
De ninhos que outrora havia
Nos beirais

De poeira;
De sombra de uma figueira;
De ver esta maravilha:
Meu Pai a erguer uma videira
Como uma mãe que faz a trança à filha
("Diário", I)

Frantumi

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Uma pequena narrativa editada aqui há menos de uma semana, reaparece em italiano pela mão de Stefano Valente, um autor e artista de uma modéstia surpreendente, com quem tenho tido o gosto de trocar impressões.

(Obrigado uma vez mais, Stefano!).
(da Galeria Gráfica do site de Stefano Valente)

Sentia aquela necessidade premente de regressar de vez em quando às coisas essenciais da existência, e aproveitando as mini-férias da Páscoa, levou as mulheres e os filhos até á casa de pedra que herdara nas faldas da serra da Estrela. Ao entardecer do primeiro dia, acenderam a lareira, a mulher fez café, e ele, com se cumprisse um ritual sagrado, amassou o folar da Páscoa, como o vira fazer de pequeno, o que requeria tempo e dedicação. A coroa de farinha na tendeira de madeira, o pedaço de fermento de padeiro no centro, que amassava com um pouco de leite e um mínimo de farinha, até formar uma bola de crescente, que deixava a repousar depois de lhe traçar uma cruz em cima com o gume de uma faca. Quase uma hora depois, amassou finalmente o folar, quando o pequeno forno já estava escuro com a lenha a arder - negro antes de ficar branco, como o nigredo e o albedo dos alquimistas - e armou o folar com os ovos cozidos e dois rolinhos de massa, e deixou-o a repousar novamente, enquanto vigi…
Um camião de carga desgovernado virou-se numa bifurcação, sem danos humanos mas estropiando a sua carga - um lote de esculturas de seres humanos em tamanho natural, que se expedia para uma exposição na capital. Mas não era só o tamanho das esculturas que era natural, o acidente revelou pelas peças quebradas, que por dentro das esculturas havia gente morta, de carne e osso, com as suas formas e relevos recobertas por uma camada de gesso com quatro dedos de espessura. A polícia foi a casa do escultor para o prender, mas este declarou-se logo um injustiçado - o escultor das peças, alegava, não era ele, mas Deus.

Dois gumes

Articulista de um jornal de escândalos, agia como um franco-atirador, camuflado e implacável. As suas vítimas nem chegavam a saber o que lhes caíra em cima, um pequeno rumor, a mecha de uma mentira, era o suficiente para os ver soçobrar diante do seu óculo de mira, a esbracejar para tentarem libertar-se do lodo viscoso. Mas a sua sórdida carreira sofreu um colapso súbito quando um outro franco-atirador, igualmente anónimo e impiedoso, o fez alvo dos seus disparos, fazendo correr no meio, que ele se preocupava com a verdade.

ocaso

Um conhecimento momentâneo, vago e superficial como todos os conhecimentos travados de passagem e abandonados ao acaso. o olhar dela à janela, suspenso do seu rosto cansado, observando o ângulo do candeeiro de luz à luz mortiça do entardecer, e o corpo em queda da vizinha do terceiro, que descia de mais acima, sem que ela conseguisse ver pela sua cara, como tinha sido o seu dia.

lei-in

Um ambiente simples, alguns objectos e móveis sumários, uma mesa de jantar com dois bancos, um bengaleiro, e uma cama de viés a um canto, onde alguém dorme sob os lençóis (ouve-se o seu ressonar, ritmado e persistente).
Um homem escreve a uma mesa, tem várias folhas á frente e dedilha numa calculadora. Entra uma mulher, baixa e obesa, com um espanador na mão e um avental.
- Estou preocupado consigo, o senhor não parece bem.
O homem faz um estalido com a língua, pega nas folhas e agita-as no ar.
- É de matar a cabeça, contas e mais contas, são as mesmas de sempre, mas agora puseram-me em lay-off, trabalho menos e recebo menos, eles dizem que são sessenta e cinco por cento do ordenado, mas, para mim, vai ficar pela metade. Vou ter de fazer alguns cortes, e se calhar vou ter de passar sem si durante uns meses, eu mesmo farei as limpezas e tratarei da roupa.
- Não pense nisso, você é a única pessoa do mundo em regime de lay-off, e farei uma excepção por si. Continuarei a limpar-lhe a casa e a …

Esta cidade que eu não amo

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Esta cidade que eu não amo, vive comigo há tanto tempo que a afeição se tornou secundária, conheço-lhe as belezas e os podres, afeiçoei-me a pequenos recantos no seu íntimo donde não consigo dissociar memórias inertes e quase ficcionadas, as andanças de rapaz-estudante com as tardes de matraquilhos e as primeiras bebidas misturadas com os primeiros cigarros, um café, hoje fechado, onde me diverti com os amigos em volta de um mesa marcada com as auréolas líquidas dos copos de cerveja, num outro lugar, uma parede no topo da praça, alimentei as esperas e as quimeras de uma longa paixão platónica, insípida e estúpida, noutro ainda, um parque de estacionamento escuro entre dois prédios em construção, construí um refúgio precário no interior de um carro para uma relação sórdida e tórrida com uma mulher adúltera que me marcou mais do que se tivesse sido a mim que ela fora infiel, e outro e outro lugar, mais umas quantas dezenas de pessoas assimiladas pelo reboco das paredes, ou empurradas da…

sem princípio nem fim

Cruzou-se com um smile num cartaz publicitário, redondo, muito smile e muito solar, e não sentiu vontade de sorrir.Tristeza, alegria, o branco dos dentes, a trincheira das olheiras em volta dos olhos, o resíduo na nossa retina da expressão de alguém que deixamos para trás.
talvez, pensou ele, talvez as pessoas devessem usar máscaras para sair à rua, onde a maquilhagem fosse acessória e indiferentes os trejeitos, como as máscaras mortuárias que algumas culturas fixam no rosto dos seus mortos para lhes emprestarem alguma arte e sacralidade,
(mas ainda o fumo desse pensamento não se tinha dissolvido, e já se tinha apercebido que as pessoas já usam as suas máscaras para sair à rua, as mortuárias).

anti-corporação

No primeiro trabalho que tive, as coisas eram muito simples, não havia escritório, relógio-de-ponto, registos de presença, cinco sócios detinham o negócio, mas eram dois deles, um casal, que dava a cara e se encarregava de o gerir, eles sabiam de cor se algum dia havíamos faltado, se num no outro, por acaso, havíamos chegado atrasados e se esse atraso já havia sido compensado, tudo se processava num ritmo muito familiar e pessoal, ofereciam uma garrafa de Porto ou champanhe na quadra natalícia, um folar pela Páscoa, e uma notinha no dia de aniversário, que nunca era esquecida, também nunca faltou um desejo de melhoras por uma gripe mais persistente, ou endereçada a um familiar que se soubesse doente. Corolário deste estado de coisas, era o dia de pagamento. Era sempre o gerente que pagava, em dinheiro e sempre no final do último dia útil do mês. O dinheiro ia sendo posto de parte das contas da caixa durante a quarta semana e quando chegava o dia, éramos chamados à vez ao pequeno gabin…

Charles Bukowski: "Bluebird"

there's a bluebird in my heart that
wants to get out
but I'm too tough for him,
I say, stay in there, I'm not going
to let anybody see
you.

there's a bluebird in my heart that
wants to get out
but I pur whiskey on him and inhale
cigarette smoke
and the whores and the bartenders
and the grocery clerks
never know that
he's
in there.


there's a bluebird in my heart that
wants to get out
but I'm too tough for him,
I say,
stay down, do you want to mess
me up?
you want to screw up the
works?
you want to blow my book sales in
Europe?

there's a bluebird in my heart that
wants to get out
but I'm too clever, I only let him out
at night sometimes
when everybody's asleep.
I say, I know that you're there,
so don't be
sad.
then I put him back,
but he's singing a little
in there, I haven't quite let him
die
and we sleep together like
that
with our
secret pact
and it's nice enough to
make a man
weep, but I don't
weep, do
you?

diálogo com d mudo

- O primeiro e o último nome, por favor!
Repetiu, o primeiro e o último, achava estranho aquele ênfase no primeiro e no último nome, como se tivesse pelo meio uma comprida corda de varal com nomes pendurados.
- O seu nome não consta da nossa lista, mas isso até pode ter uma explicação muito simples. Ás tantas, o senhor esqueceu-se de fazer a prova de vida no ano passado, e deixou de receber o subsídio por se presumir que estava morto e enterrado.
- Não, eu fiz a prova de vida, tenho a certeza disso!
- Não terá sido no ano anterior a esse, e o senhor estar a confundir?
- Não foi! Tenho a certeza porque, nesse ano, vocês levaram as coisas ao extremo. Nos outros anos, bastava uma declaração da Junta de Freguesia, mas desta vez pediram tantas coisas, que nem sei como a passaram.
- Se calhar o senhor é daqueles que pensam que estar vivo é só respirar, não? Pois fique a saber que concordo com as alterações introduzidas, a prova de vida deve focar ou abranger muitos mais itens, como os valores afe…

fragmentos de retórica

«E se eu te disser a verdade, tu perdoas-me?».


«podes crer que éramos mais felizes quando namorávamos...».


«Não estou triste, amor, estou apenas cansado de tudo e de todos».


«Vieste mais cedo para casa. Sempre foste despedida?».


«Eles disseram que publicavam o meu estudo, mas pedem-me que escreva uma série de artigos sobre os autores que eles têm em carteira».


«o médico disse que não é um mioma. Antes fosse! Disse-me ele».


«Quando vim do lixo é que reparei - o velhote do segundo esquerdo tem a caixa a abarrotar de correio. Há vários dias que ele não passa por ali».


«Chegaste a ligar á tua mãe para saber como é que ela anda?».


«Onde é que você estava na noite do atentado?».

«Vim despedir-me! E escusas de conter o teu entusiasmo...»