Um bem volúvel

O trintão sentado nos degraus das traseiras, emburrado, a olhar sem expressão as nuvens no alto, na esquadria dos topos dos prédios.
- Pai! Queres brincar comigo?
- Desculpa, filha, mas não tenho pachorra!
Uma pausa, a filha sentou-se ao seu lado no degrau, e olhou para o alto. Não percebia como é que o pai conseguia passar horas, tardes inteiras, como uma estátua, a olhar o céu.
- Podias ler-me uma história, ou jogávamos aqueles jogos do cê-dê que me ofereceram...
- Depois, filha, agora não tenho mesmo pachorra nenhuma.
- Diz-me uma coisa pai, gostaste mesmo daquele prenda do Dia do Pai que fizemos na escola?
- Gostei, claro que gostei! Nesse dia, ainda tinha alguma pachorra comigo!

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