"Espere, não me leve ainda, tenho muitos quadros na cabeça por pintar, alegorias, paisagens, nus, naturezas-mortas. Volte outro dia, por favor!".
O escaveirado beleguim olhou o relógio, como se os poucos segundos do acto momentâneo de olhar o relógio fossem a única prorrogação que podia conceder.
"Você disse o mesmo há dez anos, mais ainda não pintou nada e não tem como pagar a renda do estúdio!".
E fez cair sobre ele a ordem judicial, afiada como uma foice.

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