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Era uma vez...

...um homem que partiu da sua terra para procurar exílio noutra terra sob um outro céu,
e não sabia a qual deveria permanecer fiel,
se àquela em que nascera e onde as suas raízes latejavam ao som de uma língua diferente e de músicas de uma outra existência,
ou à que lhe deu guarida, oficiosa e oficial, a terra que pisava todos os dias, procurando conhecer o ritmo das suas marés minerais.

Era uma vez um homem exilado e dividido, que refugiou todas as partes de si na pátria íntima do amor de uma mulher.

2 comentários:

  1. Olá, José Eduardo!

    Parece-me que este texto reflete a realidade de muitas pessoas que conheço. De certa forma, mesmo a minha.

    Considero-me um exilado na própria pátria, a que consta no registro civil, quando, na verdade, sinto-me de outra, a das origens familiares. Como se tivesse ocorrido um erro geográfico no meu nascimento.

    Muito bom este e o blog das Artes, parabéns!

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  2. Olá, José Roldão!

    Obrigado pela visita e pelo comentário.

    Deixamos um pouco de nós com as terras e casas outras onde vivemos, mas isso também nos faz crescer. Há uns dois anos, editei aqui uma narrativa em forma de crónica, em que o protagonista compara a sua vida à das andorinhas que migram e refazem os ninhos de terra; e que, a dado passo, diz que se sente como se tivesse terra no sangue, a terra dos ninhos desfeitos.

    Abraço

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Rainha

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