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Sentia-se infeliz, ou, pelo menos, gostava de acreditar que sim. A mulher expulsara-o de casa e o patrão que, por acaso, andava a montá-la, dera-lhe um pontapé no traseiro - tinha razões de sobra para acreditar que era e estava infeliz. Então bebeu, dissolvia assim a infelicidade como se dissolvesse um torrão de pedra que se alojara no peito. Desta vez bebeu sozinho, mais uma vez, sozinho, que não tinha mais amigos que os voláteis companheiros de bebedeira, e enfrascou-se numa tasca sórdida junto ao porto. Quando amanheceu, descobriu-se igualmente sozinho, mas à deriva em alto-mar, num pequeno barco à vela. Não se via nada senão água, e mais nenhum som do que o murmúrio das ondas, e o das adriças a flagelar brandamente o mastro. Começava a entrar em pânico quando descobriu aos seus pés uma pequena geleira de cor azul. Levantou a tampa com ânsias, mas lá dentro encontrou apenas covetes de gelo e uma garrafa de água.
Levantou os olhos para o céu e lamentou-se como Job: "Meu Deus! Meu Deus! Não gostas mesmo de mim!".

A sombra dos dias

               Um galão direto e uma torrada com pouca manteiga  - pediu a empregada no balcão à colega. Podia até ter pedido antes,...