Há muito tempo que não te vejo, nostalgia, uma necessidade serena de te ter ao meu lado, desapareceste e é estranho ter de lidar com a ausência de ti, o que me dói mais, é não poder procurar-te de alma aberta, espontaneamente, com a naturalidade de dois amigos que se encontram por acaso num passeio de uma rua e se abraçam, felizes por se verem, mas não é assim tão simples, a nossa amizade gerou para si regras absurdas e artifícios miseráveis que nos empobreceram, tornando impensáveis um gesto, um telefonema, uma palavra. A única coisa que construímos juntos, de um e de outro lado, foi a cortina de silêncio na qual a nossa amizade ficou emparedada.

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