- Então, estás aqui?
- É verdade, tem de ser, a gente precisa e lá tem de vir.
- E para os teus lados, tudo a correr bem?
- Dois motoristas de camião, três uniformes, um homem que eu não sei o que estava a fazer no meio da rua, e uma mulher, a mulher foi por engano, tinha o cabelo curto, parecia mesmo um bivaque.
- Pois, a minha manhã também foi parecida. E cá estamos outra vez. Nem estávamos aqui se não viéssemos ao mesmo. Onde estás agora?
- Na catedral, na torre danificada pelas bombas. E tu, ainda preferes cisternas?
- Sim, é como a catedral, ninguém espera que nada de mal venha dali.
- As pessoas são mesmo simples. Bem, lá temos de ir, levo balas Slim, tem mais poder de penetração, há alguns alvos com colete.
- Sim, também tenho encontrado, é preferível apontar sempre para a cabeça, para não haver ripostação. Ali não há metal, só se for um dente de ouro.
- Pois é, vamos à vida que a morte é certa.
- Tens razão, temos de a levar à frente, como aqueles escaravelhos que fazem rolar uma bola de bosta.
- Nem mais, saúde e tudo de melhor.
- Também para ti.

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