A voz era insistente e não a largava - "Alice, vai arear as pratas!", "Alice, apanha as folhas do jardim", "Alice, ajuda-me a virar a tua avó na cama, borrou-se toda e temos de a limpar".
Alice refugiou-se no quarto, fugindo à voz da mãe. O Espelho estava a um canto do quarto, velado por uma manta. Chegou-se ao pé dele e destapou-o. Na semi-obscuridade do quarto, a face do espelho brilhava como um reflexo lunar. Tinha saudades! Afagou a sua superfície e as letras victorianas que decoravam a moldura em madeira.
- "Alice! Vem depressa, e traz uma pá do lixo, que isto está cheio de cócó!".
Alice encheu-se de coragem, e lançou-se sobre o espelho, mas tudo o que conseguiu foi dar uma violenta cabeçada no vidro. Caída no chão, a esfregar a testa dorida, ouviu uma voz anasalada de coelho que lhe chegava do outro lado.
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