O Raposo foi preso. Raios'parta o Raposo! Nunca tivera jeito para a coisa, suava em bica quando devia mostrar serenidade e optimismo. Viram logo que o tipo tinha qualquer coisa a esconder, e até nem era muito, uma vintena de pequenos pacotes de material escondidos na roupa e no ânus.
Tinha de dar o próximo passo, e depressa, se não a engrenagem emperrava.
Ligou para a namorada e combinou um jantar íntimo, e preparou-o com tudo o que ela tinha direito. Encontraram-se no seu restaurante preferido, com a mesa já reservada para eles, decorada com um bouquet de rosas vermelhas, e um candelabro de velas ao centro. Comeram num ambiente romântico, conversa íntima e sonhadora, as mãos acariciando-se, beijadas melosamente. Quando pediu o champanhe, o violinista estacionou ao seu lado, tocando com alma.
Serviu-lhe uma taça de champanhe e tirou do bolso do casaco uma caixinha revestida a veludo, ela abriu-a, comovida, admirando o anel no seu interior.
- Não sei como dizer isto... - começou ele.
- Eu facilito-te as coisas, amor, queres que me case contigo, não é?
- Não, precisava que fosses o meu pombo-correio.

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