Recebeu no telemóvel a mensagem da namorada em pleno horário de trabalho, do lado de dentro de um balcão da repartição de Finanças. Na primeira ida ao arquivo, abriu-a.
Dear Mário, Amot e desejot c tdas células do meu corpo
A sua cabeça entrou em parafuso, passou o trabalho a um colega e esgueirou-se até ao exterior. Ligou-lhe, era mais rápido:
- Quem é o Mário para quem mandaste o ésse-éme-ésse?
- Foi engano, não existe Mário nenhum, lembrei-me de te mandar um mensagem, e como estava a ler um livro do Mário Cesariny, troquei os nomes. Desculpa, tá? Só queria fazer-te uma surpresa.
- É bom que seja engano, porque se eu desconfio que há outro homem na tua vida, parto-lhe as fuças, aliás, mato-o e depois parto-lhe as fuças. Ouviste bem?
- Sim, ouvi, ouvi muito bem, como sempre.
O episódio desvaneceu-se. Umas semanas depois, ele regressava a casa à boleia no carro de um colega, quando viu a namorada, sentada numa esplanada de café, de mão dada com um estranho. Sacou tão depressa do telemóvel, que este escapou-lhe das mãos, apanhou-o do chão do carro como se ele estivesse em brasa e contactou a namorada com os dedos trémulos.
- Quem é esse anormal que está contigo no café? - gritou.
- É o engano!

Mensagens populares deste blogue

A viagem

Abril de 1918 - o caminho para uma Primavera de sangue