No seu escritório de gestor de sucesso, tudo servia para sublinhar o seu triunfo, a maciça secretária de mogno, a outra, de carne e osso, que se rebolava dentro de uma saia diminuta, o bar bem fornecido a um canto, os charutos, os diplomas e prémios emoldurados. Mas o objecto que mais estimava, o seu mais-que-tudo naquela sala de élite, era uma enorme e quadrangular lente de aumento que se erguia entre o seu lugar à secretária e as cadeiras onde se sentavam os seus interlocutores (ele sempre tivera pavor que estes o achassem um microcéfalo).

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