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- Estamos a ser seguidos! - O aviso dela soou quando saíam do mercado. A outra mulher olhou por cima do ombro, e foi a única vez que o fez, porque a amiga soltou um gritinho de aviso para ela não repetir o gesto. Continuaram as duas a caminhar, com o passo apressado, mas na mesma sintonia dos passos de toda a gente em volta. Com as bolsas e os sacos aferrados nas mãos, passearam um pouco, a aparentar um ar casual. Aqui pararam na montra duma livraria para ver as novidades e, mais adiante, atreveram-se a entrar numa loja de roupas, onde experimentaram algumas calças de ganga. Quando desaguaram novamente na rua, a amiga murmurou: "Ainda anda atrás de nós, mas não olhes!". Flectiram para um pequeno centro comercial - primeiro os cinemas, a relojoaria, cheiraram umas amostras na perfumaria, e beberam um café na esplanada do átrio, onde conversaram em amena cavaqueira durante mais de uma hora até a amiga, a que descobrira o perseguidor, ter uma ideia. Foram em seguida a um Banco, a pretexto de pedirem informações sobre um empréstimo pessoal, e o fulano foi atrás delas ou, pelo menos, ela achava que sim. Indicaram-lhes um segundo balcão, onde mataram tempo a fazerem perguntas fúteis à funcionária e a pedir simulações. A estratégia era simples, se o malfeitor as tentasse roubar ou violar nas ruas, a polícia poderia exumar os últimos passos delas e descobrir que elas tinham estado ali, e encontrar o culpado entre os clientes filmados no interior da instituição. Quando saíram do Banco, ficaram num impasse porque teriam de se separar, uma vez que viviam nos dois extremos da cidade, e não adiantava uma acompanhar a outra a casa e esta retribuir acompanhando a primeira, porque apenas adiariam o inadiável e, uma das duas teria de se aventurar solitariamente até à sua própria casa - "Dormes na minha casa", propôs a mais atenta das duas. A amiga aceitou, não queria ser uma presa solitária nalgum beco escuro. Racharam um táxi, e chegaram ao apartamento num segundo piso, onde se trancaram, correndo ferrolhos, e fechaduras de quatro trancas. A dona do apartamento verificou se todas as janelas estavam bem fechadas, mas deu uma escapadela à marquise da varanda para esquadrinhar a rua. "Ele ficou no passeio, vai acabar por se cansar!". E fechou também a porta da varanda, arrastando até esta o pesado sofá de três lugares. Por precaução, desligou também o telefone, para não ouvirem ameaças ou telefonemas obscenos. Agora, tudo parecia em ordem. "O sofá-cama fica muito exposto! É melhor dormires comigo na minha cama, e fechamos à chave a porta do quarto, para termos uma segurança suplementar!".

Dicionário

                O “seu” dicionário não tinha muitas palavras, e entre estas, havia muitas quase virginais, intocadas, outras devassadas e p...