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A sua memória era muito ténue e, para não se esquecer das coisas, atava laços em tudo quanto era sítio, pedacinhos de pano atados nas pernas das mesas e das cadeiras, nas maçanetas das portas, nas cruzetas do guarda-roupa. De cada vez que o lembrete funcionava, apressava-se a desatar o laço, para não voltar a matar a cabeça com um enigma já solucionado. De todos, o laço mais intrigante foi um que lhe apareceu na cabeceira em ferro fundido da cama, um laço bonito em tule no centro de uma rosa pintada a dourado. Não se lembrava, não tinha a mais pequena noção ou suspeita, e aquilo moeu-lhe o juízo durante uma semana inteirinha; a solução, entrou-lhe pela porta adentro, quando o pai a veio buscar para conduzi-la ao altar.

4 comentários:

  1. isso da memória é lixado.

    Um dos meus temores secretos é esquecer-me de quem sou.

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  2. É curioso que tenho encontrado algumas pessoas, que desejam o que tu temes: esquecerem-se de quem são, pelo menos, alegadamente e sem sustos.

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  3. conto engraçado este! Acho divertido alguém que ponha laços em tudo. Já a imaginei, depois do casamento, a atar um laço ao penis do marido para se lembrar a que lhe serviria!

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  4. :)
    Aí, talvez não fossem precisos laços, a outra memória, a memória da pele, chegaria primeiro e a natureza seguiria o seu curso.

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Rainha

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