INSTRUÇÕES:

Outros dados, e cartas, no final da página
Estacionar no meio da cidade, era um quebra-cabeças, mas desta vez, ela já levava a lição estudada. Tinha aberto um novo estacionamento subterrâneo onde, tinha ouvido dizer, a primeira meia-hora era de graça e, meia-hora, era precisamente o tempo que precisava para tratar dos seus assuntos. Dirigindo, desceu a rampa em caracol do estacionamento, retirou o tiquê, após o que, é claro, estacionou a viatura. Saiu disparada pela escada, e foi fazer os recados. Uma carta já com selo na caixa dos Correios, uma fugida ao Banco, o jornal comprado no quiosque. Voltou correndo e foi à caixa do estacionamento apresentar o tiquê. Vinte e oito minutos - disse o funcionário - Se a senhora se colocar na saída em dois minutos, não tem nada a pagar! Sentiu um pico de adrenalina e começou a correr para o carro. Mas dois minutos era muito pouco, porque entre ela e o carro interpôs-se a marcha duma banda, uma roda gigante de crianças de mãos dadas a cantar o Jardim da Celeste, e um dragão festivo chinês a saltar e ondular. Resignada, voltou à caixa e pagou quinze minutos de estacionamento, e foi andando lenta e desalentadamente para o carro. No caminho, ocorreu-lhe que os quinze minutos talvez fosse pouco, dada as dimensões e a lentidão de movimentos da anaconda gigante que evoluía diante de si, esfregando a pele luzidia nas carroçarias metálicas.

Sem comentários:

Enviar um comentário

Rainha

                Subiu lesto os parcos degraus que separavam o átrio do hotel do recinto sobrelevado onde haviam instalado a receção. Ab...