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O reino DAS caveiras de cristal

O novo filme da saga Indiana Jones, tem um título que não é estranho aos que apreciam temas ligados ao fantástico e ao "misterioso desconhecido".

As alegadas caveiras de cristal, encontradas em locais arqueológicos dos antigos Maias, causaram assombro no seu tempo, e continuam ainda hoje a suscitar questões sobre o modo como foram criadas e a função que lhes destinavam os sacerdotes Maias.

A primeira vez que tomei contacto com o assunto foi através de um livro que ainda hoje possuo, escrito por Kurt Benesch (Enigmas da Arqueologia, Círculo dos Leitores, Lisboa); depois disso, encontrei algumas referências próximas em outras obras, antes de assistir ao episódio alusivo na série televisiva "O Mundo Misterioso, de Artur C. Clarke". Na primeira parte desse episódio, é-nos mostrada a mais célebre das caveiras de cristal, a que teria sido encontrada nas ruínas de um templo em Lubbantun pelo arqueólogo F. A. Mitchell-Hedges; o episódio começa, aliás, com chegada a Londres da dita caveira de cristal, acompanhada pela idosa Anna, a filha do arqueólogo que, com treze anos, a teria retirado da cave dum templo Maia, suspensa por uma corda. Uma história muito cinematográfica, que ainda hoje cintila no imaginário de muitas pessoas.

Parece plausível a existência entre os Maias, de objectos religiosos com a forma de crânio. Porque o crânio aparece constantemente na sua arte e escrita, e o seu deus da morte, que os primeiros americanistas intitulavam de Deus A, aparecia nos códices maias como um deus cadavérico, mas ostentando na cabeça um signo-caracol cujo significado é "nascimento". Para os Maias, morte e vida estavam inextrincavelmente associadas (também no cristianismo, enfim), e era do mundo inferior, morada dos deuses e dos mortos, que surgia toda a vida. O mundo da superfície, era presa e domínio do mundo inferior, tal como se pode constatar nos códices tardios dos Chilam-Balam, e no Popol Vuh, livro sagrado dos Maias-Quichés. Ao Chilam, o sacerdote-aúgure Maia, cabia não só auscultar a vontade dos deuses e dos mortos do submundo, como influenciar a sua acção na vida das pessoas e no crescimento do milho. Função para a qual, seria muito útil um craniozinho de cristal.

Mas vamos apertar a malha da rede! As ideias tradicionais sobre os crânios de cristal dos Maias, não mudaram muito em quarenta anos e continuam a ser desenvolvidas em páginas da Web, como esta, em português, dum sítio dedicado aos "Fatos da História" (sic). E é normal que continuem a aparecer outras abordagens, semelhantes ou policopiadas, devido ao efeito publicitário do mais recente filme da saga Indiana Jones. Mas também dá para perceber, que os crânios de cristal podem ser uma gigantesca fraude dos tempos modernos, forjados desde o século dezanove. A fonte é este artigo da revista Archaelogy, escrito por Jane MacLaren Walsh, uma antropóloga do Smithsonian, que classifica os inúmeros crânios de cristal que estão à guarda de diferentes museus, apresentando os fundamentos científicos da sua rejeição como artefactos genuínos da cultura Maia, Asteca ou tibetana. Ao ritmo a que as pessoas digerem a verdade, de certeza que ainda vai levar uns dez anos, para vermos modificado, o texto das muitas páginas web sobre esse grande mistério.

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                O “seu” dicionário não tinha muitas palavras, e entre estas, havia muitas quase virginais, intocadas, outras devassadas e p...