Nunca é fácil começar uma história

(...)
à terceira tentativa conseguiu tirar o balde de dentro do poço, alumiada na noite densa pelo quadrado de luz da janela da sala. Mergulhou na sua água fresca a pele gravada a vermelho pela corda de sisal, e não soube mais o que fazer, porque as mãos haviam-se liquefeito na água, fundiram-se os dois elementos numa simpatia alquímica, isso era o que sabia, e esse conhecimento ainda lhe deixou uns segundos de lucidez, o bastante para que um grito inútil se soltasse da sua garganta, antes de toda ela se liquefazer também num charco efémero aos pés da roseira, e do regador de lata - que era para regar a roseira depois do calor do dia, que era isso que viera fazer.

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