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tocar a terra

Na perpendicular da rua, recta e chã, havia uma rua muito inclinada, onde a garotada da rua fazia corridas, cronometrando a descida em carros de rolamentos. O equipamento era rudimentar, uma tábua pintada, um eixo fixo atrás e um, manobrável, à frente, domado por umas rédeas em corda.

O carro do Pedro não era dos melhores, e era uma bondade dizê-lo dessa forma, porque ficava sempre para trás nas provas, logo à frente do Ruizinho, que não tinha carro e arbitrava meticulosamente as corridas com o relógio-cronómetro que o pai mandara do Canadá.

Cansado de ser um derrotado, Pedro acrescentou ao carro duas asas em contraplacado, e prometeu a todos que iria ser o melhor. O autódromo de rua encheu-se de gente para ver a prova. O Pedro atacou a descida íngreme com uma fezada terrível, e a cara de todos acusou o assombro de assistir àquela descida insólita.

Cumprido o percurso, Ruizinho, o árbitro, enfrentou dúvidas de índole técnico. Não sabia, se havia de apontar a passagem do Pedro a sobrevoar a meta, ou o instante em que Pedro, o carro e as asas, se enfeixaram na copa da alfarrobeira do senhor Marques.

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