Depois:
"Não quero estar aqui, enfiado numa prateleira alta, a ganhar ácaros e bichos. Ninguém me pega, ninguém me lê, nem mesmo quem me deu a ler. As minhas páginas ainda estão coladas no topo, a capa dura é como porta duma cela, e o pior, é que do outro lado não há ninguém, pessoas como as que eu via frente ao monitor, vida, como eu já conheci em tempos".

Antes:
"Não quero estar aqui" protestou o texto formatado "mereço mais, muito mais, ser lido por uma noiva no carro a caminho da igreja, por um médico sem fronteiras na solidão da sua tenda, por um astronauta às voltas na estação orbital. Tenho de ser publicado, gravado em papel, lido e rebuçado por olhos e dedos, inalado por narinas com o cheiro do papel, sentido e amado como se só eu fosse digno e só eu fizesse sentido".

Mensagens populares deste blogue

A viagem

Abril de 1918 - o caminho para uma Primavera de sangue