Às duas por três
não é um bom argumento para explicar a santíssima
trindade nem nada que seja santo ou
trinitário como
o concílio de
trento e o santo lenho que o pastor usa
na sua lareira para se aquecer, não
é nem poderia ser porque duas é um
número redondo, perfeito, como as mulheres
que vão juntas aos sanitários
e as putas que juntas andam
a polir as esquinas, ofício
polido e meticuloso
onde concorrem com os
polícias, duúnviros de polícias,
que acordam mais cedo do que elas para
reservarem e ocuparem
as esquinas mais soalhentas e com menos
fumo, tão entretidos na sua garbosa
idiotia que as deixam vagas sob as estrelas;
O às duas por três sugere um encadeamento
histórico,
primeiro havia o velhote e a pomba e às duas por três
apareceu o filho concebido a meias
pelos dois, mas que já existia
antes do princípio dos tempos,
tal-qal a galinha deprimida que vê nascer
do seu ovinho
o tataravô falecido
com barba e caveira e tudo;
DUAS, a pomba e o velhote
porque ninguém me diz
que o velhote não é uma velhota,
das simpáticas, que nos fazem a autobiografia das suas
patologias enquanto esperamos
à porta do Posto Médico,
e travam a fundo dentro
das rotundas, para deixarem passar o próximo
enquanto lhes acenam da moldura do
Fiat 127 ferrugento, ao mesmo
tempo que causam um
pavoroso
choque em cadeia; mas isso sempre
chocou algumas pessoas,
o deus-mulher foi escondido
sob as penas da pomba e nós,
às duas por três,
hesitamos no género e apontamos
os holofotes a uma mulher que engravidou
do nada,
e que também existia antes
do princípio dos tempos,
tal-qal Neit e Pacha-Mamma;

às três por duas não tinha nada
para escrever,
às duas por três, escrevi nada

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