O sensível protesto de uma buzina, tirou-a de se enfiar na estrada, voltou ao passeio, compôs a saia, alisou uma prega, olhou-se com asseio, desviou-se de um cão, chamou um conhecido que passava num carro, olhou o seu rosto angular na vitrina arredondada de uma loja de puzzles cúbicos, voltou à estrada, pisou as listas da zebra, insultou a fumarada contínua de um camião de bebidas, sorriu a um desconhecido e pôs o primeiro pé no passeio da margem oposta e logo voou de repelão, o motociclista segurava a sua mala, de esticão, e ela voando, esticada atrás dela, os cabelos revoltos, ela ainda mais revoltada, gritando no alcatrão: Meu cofrinho não! Te faço um servicinho!

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arenga sobre o amor

«Tu és a mulher amada: destrói-me! Tua beleza /Corrói minha carne como um ácido! Teu signo / É o da destruição! Nada resta / Depois de ti ...