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Boddah

Na sua infância, descobriu ao seu lado um amigo imaginário, e deu-lhe um nome, Boddah. Brincava com ele, conversavam, inventavam jogos, mas Boddah não podia sair do seu quarto - o Sol, o barulho, a simples respiração das outras pessoas eram o suficiente para o envenenar e matar.
Enquanto foi pequeno, conseguiu cuidar do amigo e fazer-lhe companhia, para ele não se sentir só. Trazia-lhe coisas da rua, pedrinhas engraçadas e brinquedos, e deixava-lhe biscoitos no topo do roupeiro, para o seu amigo trincar. Eram felizes como muitas pessoas nunca conseguem ser.
Quando entrou para a escola, as coisas complicaram-se, havia cada vez mais coisas para ser e fazer na rua, e o escárnio dos amigos ao seu amigo imaginário fez com que tentasse negar para si mesmo que Boddah existia, e o tempo que passava no seu quarto transformou-se numa desconfortável sucessão de silêncios, a ponto de só ir para o quarto na hora convencionada para dormir, e já com o sono a pesar-lhe nos olhos.
Quando já tinha completado sete anos, perdeu Boddah, chegou ao quarto e descobriu que ele já não estava lá. Como o amigo não podia sair do quarto, soube de imediato que o tinham arrancado dali para o matarem. Perguntou à família e aos amigos mas ninguém lhe soube dizer nada, sem que ele conseguisse confiar na sinceridade das suas respostas.
Na solidão do seu quarto, tributou a Boddah as suas lágrimas, convencido de que a humanidade inteira se pusera de acordo para destruir para sempre o seu mundo.

A sombra dos dias

               Um galão direto e uma torrada com pouca manteiga  - pediu a empregada no balcão à colega. Podia até ter pedido antes,...