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She - Charles Aznavour

«Se tu me ligasses alguma, poderíamos até combinar uma saída, beber um copo num bar com música ao vivo, falar dos festivais de música do Brasil ou do pit-bull que abocanhou o santo-e-senha de um rapaz que jogava à bola, ou simplesmente curtir a música, como dois apaixonados em viagem de núpcias.
Se gostasses de estar comigo, podia ser que a noite não acabasse ali, e te levasse a casa depois de te dar uns apalpões desajeitados no parque de estacionamento e roubar-te um beijo de língua que parecia pensado para colar selos.
Se à porta da tua casa, me deixasses entrar, podia ser que a coisa levasse rumo e nos amássemos naquele sofá grande sob o lagarto empalhado na parede onde o teu irmão colocou um cigarro na boca do animal.
Se a coisa corresse bem, podia ser que continuássemos a noite inteira no love e a beber cerveja com o travo da erva na boca; e,
se tudo isso acontecesse, quem sabe ? Nós repetíamos em outras noites decadentes e deliciadas, e pudesse pensar em ti como minha amante, e meu sonho pulsante.
She...
se..
se.
se eu não fosse um assistente de pornógrafo agarrado a uma cadeira de rodas, e tu, uma estrela do celulóide que eu não consigo sequer olhar de frente, nem mesmo quando estou por detrás das câmaras e tu gritas e uivas em sofás de cetim enquanto és fodida, enrabada e espancada por uma chusma de homens».


A sombra dos dias

               Um galão direto e uma torrada com pouca manteiga  - pediu a empregada no balcão à colega. Podia até ter pedido antes,...