INSTRUÇÕES:

Outros dados, e cartas, no final da página
Sentiu uma vontade premente, abriu uma bolsa de papel plastificado, enfiou nela os seus dedos sujos e enrugados e tirou algum tabaco que meteu na boca para mascar; não podia ser muito, do tamanho de uma noz, para poder mastigá-lo bem, e passar de um lado para o outro da boca. Rilhou e rilhou a bola enriquecida com saliva até sentir que as paredes da boca estavam a ficar dormentes, e cuspiu para o chão o excedente.
Quando tinha acabado de o fazer, junto ao monte de saibro de uma obra, deu de caras com uma jovem estudante que o olhava com nojo. Aquela expressão meteu-lhe pena, era estudante e, por isso, com um fio de saliva a pender-lhe dos lábios, beneficiou-a com a sua filosofia de tasca:
«Isto é como a vida, eu sempre disse que somos uma bola de tabaco nas mandíbulas da existência, mastiga-nos repetidamente até estarmos secos, e podermos ser cuspidos para longe»


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