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A diligência do Minho

Naquela região do interior, há muitos anos, toda a gente andava de camioneta, havia carreiras de hora em hora e sempre cheias, os lugares, e o espaço de carga sob e sobre estes. Havia um motorista, mas também um cobrador que cobrava ou picava os bilhetes, e tinham sempre muito que fazer. Era de camioneta que as pessoas iam para o trabalho, para os mercados, para a escola, passear a família, laurear a pevide e saltear o grelo. Mas esses tempos dourados depressa passaram, havia agora cem vezes mais carros nas estradas, e as pessoas iam umas com as outras, e a clientela foi rareando. Primeiro suprimiu-se o cobrador para poupar despesas, depois começaram a suprimir-se as carreiras uma a uma, a ponto dalgumas terras deixarem de as merecer, enquanto outras, só as viam passar de três em três ou de quatro em quatro horas. As coisas têm vindo a agravar-se e, Sábado passado, a administração iniciou um projecto radical, o das "Carreiras Espontâneas". Deixa de haver carreiras fixas na região, e com elas, desaparece também o lugar de motorista. Na maior parte das terras vai passar a existir uma camioneta com depósito atestado e manutenção feita. O utente só tem que comprar o bilhete numa máquina automática, sentar-se ao volante e deslocar-se ao destino que pretende. Sempre sem atrasos.

Dicionário

                O “seu” dicionário não tinha muitas palavras, e entre estas, havia muitas quase virginais, intocadas, outras devassadas e p...