INSTRUÇÕES:

Outros dados, e cartas, no final da página
- Tenho esta coisa, ando cansada, cansada das mesmas ruas e das mesmas pessoas, dia após dia, ano após ano. Sinto-me um porquinho-da-Índia repetindo testes dentro do mesmo labirinto de sempre.
- Eu também me sinto assim, tudo já foi visto antes, cada parede no caminho, as esquinas, os rostos, os pombos, as manchas no tecto do autocarro, as vozes que ouvimos antes mesmo que as pessoas abram as suas bocarras mal-cheirosas. Nós dois somos almas-gémeas.
- Não devias ter dito isso!
- Porquê?
- As semelhanças e as cópias enfastiam-me, agudizam o meu cansaço, agora, também tu me pareces redundante e aborrecido, o meu ego gasto elevado ao quadrado. É melhor ires-te embora!
- Mas eu vivo aqui, nós vivemos aqui!
- Devias ter pensado nisso antes de falares. Faz-te à estrada e procura um duplex ou uma casa geminada, um buraco só teu onde possas coleccionar Matrioskas e obras de Wharhol.

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