INSTRUÇÕES:

Outros dados, e cartas, no final da página
Rodou a imperial nas mãos, achando graça a uma cintilação no tampo de mármore produzida pela luz rotativa, bebeu o resto, a espuma branca escorregou pelas paredes do copo, outra mão tocou a sua, cálida, abanou a cabeça, não queria ir, escorregava, poroso e sem estrutura, tiraram-lha das mãos, outra tomou o seu lugar, pediu uma passa a alguém, aspirou com força o fumo, misturando o seu sabor ao da cerveja, um grito de entusiasmo, alguém marcara um golo na porcaria de jogo que transmitiam, um murro no balcão, uma imprecação abafada, vazou a imperial, precisava despejar, cruzou o café na direcção da placa de sanitários, rodou uma maçaneta metálica e apanhou o ar frio do exterior, sentiu primeiro a chuva nas calças antes de sair, não havia nada, umas grades empilhadas, uma casota de cão no escuro, desembainhou o pau do mijo e aliviou-se contra as grades, ouviu latir, uma luz encadeou-lhe a vista, uma avioneta despenhou-se contra o café diante dos seus olhos semicerrados, como um barril, a explodir, metal retorcido, escombros, gritos, quando o pó assentou ainda estava com a mão no fecho das calças, fechou-o, ouviu gritos, o alarme do café disparara, viu o cão, parecia estarrecido num ângulo da barraca, estúpido cão, meteu a mão nos bolsos e encontrou as chaves, contornou os escombros à procura do carro e descobriu-o semi-soterrado por uma parede caída, voltou a guardar as chaves e fez-se à estrada a caminhar com dificuldade no asfalto molhado, as pessoas passavam por ele a correr aos gritos, sirenes, tinha sede.

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