INSTRUÇÕES:

Outros dados, e cartas, no final da página
No último dia do ano, tirei um tempo da parte da manhã para ir espreitar o mar, não por ser o último dia do ano, que esse dia tem o mesmo significado que todos os outros, mas porque senti a falta de estar perto do mar, é uma necessidade antiga, entranhada. Estacionei o carro na Foz do Arelho, num ponto sobranceiro à praia de mar e lugar onde costumam arribar pescadores e surfistas. Desci a escadaria até á areia e andei por ali um bocado a ver o mar picado e o rendilhado da rebentação. A praia, partilhava-a apenas com um pescador isolado e dois atletas ocasionais, um dos quais corria com uma garrafa vazia de Super Bock. O que até é bom, o mar basta-me. Enquanto passeava ao longo da praia, admirei ociosamente a confusão de pegadas na areia fina e encontrei uma que se destacava das outras, uma pegada feminina, pequena, sem dúvida de bota de cunha, com a biqueira afilada, acompanhei-a durante alguns metros, seguindo o rasto dalgum rendez-vous nocturno. Quem era, coxeava do pé esquerdo, as duas pegadas revelavam uma grande diferença, uma passada pequena, quase lateralizada, depois, uma passada larga em frente com o pé direito. Admiti a possibilidade de estar a carregar algum peso daquele lado mas, comparando a fundura de ambas as pegadas, rejeitei a hipótese. Um pouco mais à frente, perdi o traço daquela mulher num emaranhado de marcas de sapatilha. Continuei o meu passeio e, no regresso ao carro, reencontrei a mesma impressão na areia das botas de cunha, com a biqueira apontada para as escadas. A mulher desconhecida abandonou a praia. Reencontrei as suas pegadas quando começava a admitir que ela pudesse ser uma sereia.

Dicionário

                O “seu” dicionário não tinha muitas palavras, e entre estas, havia muitas quase virginais, intocadas, outras devassadas e p...