INSTRUÇÕES:

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Natureza-morta

Diante da tela, um dilema se colocou ao pintor de naturezas-mortas que queria pintar frutas numa taça: a que cores deveria dar mais destaque? Ao amarelo ígneo das laranjas? Aos tons repousados das uvas tintas? À palidez marfínea do melão? Passou horas nisto, recompondo as frutas na taça larga, procurando a perfeição, o centro subtil que seduziria o olhar no seu foco. Incapaz de tomar uma decisão, adiou as frutas e pintou o seu próprio retrato diante do espelho: magro e pálido, dois olhos escuros como lumes apagados, com uma mão ossuda brandindo o pincel, enquanto a outra cingia à bata, à altura do coração, uma folha de parra de cor sépia.

A sombra dos dias

               Um galão direto e uma torrada com pouca manteiga  - pediu a empregada no balcão à colega. Podia até ter pedido antes,...