A Fonte no Jardim

A Barcarola de Pedro
(uma alegoria)

Cansado de perscrutar as ravinas em busca de um cordeiro perdido, o rude pastor deitou-se entre os arbustos e adormeceu. Em sonhos, despertou como um gigante, em pé como uma torre sobre a mesma paisagem que o vira demandar o animal perdido. Mas agora as suas vestes eram luxuosas, finos paramentos de seda bordados a fio de ouro. As pessoas e as casas eram esmagadas pelos seus pés enquanto andava, mas, por mais que tentasse, não era capaz de evitá-lo ou sequer descer até ao seu mundo liliputiano e insignificante, as rótulas dos seus joelhos estavam soldadas, pelo que se resignou em continuar a caminhar, com as órbitas ao nível das nuvens e do cume majestoso das montanhas. Quando começou a embriagar-se do seu poder e da vaidade pelas suas insólitas roupas, o balir do animal que buscava arrancou-o do sonho. Primeiro decepcionado, logo o tomou um entusiasmo novo. Colocou o animal sobre os seus ombros e encaminhou-se para a cidade, para o vender e procurar adquirir com o dinheiro roupas tão belas e perfumadas como as que vestira no sonho.

A um deus desconhecido

«Mais coisas encontrareis nos bosques do que nos livros; as árvores e as pedras podem fazer-vos ver o que os mestres nunca saberão ensinar-nos. Pensais por acaso que não podereis sugar mel das pedras e azeite da rocha mais dura? Será que as montanhas não destilam doçura? Será que as colinas não brotam leite e mel? Será que os vales não estarão plenos de trigo? Tenho tantas coisas para vos dizer, que apenas me posso conter
»

(Bernardo de Claraval, Epístola 106, citado em Codex Templi - Os Mistérios Templários à Luz da História e da Tradição, capítulo I, Editora Zéfiro, Sintra)

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