falanginha

Nérvia gostava de atribuir nomes adequados às coisas, nomes límpidos e concisos. Ao segundo quirodátilo da sua mão recusava-se a chamar dedo indicador a menos que o estivesse a usar para indicar alguma coisa, e esse nome conhecia mutações: se apontava era apontador, se o usava na confeitaria era dedo fura-bolo, e para ver o sentido do vento, dedo eólico; para recusar alguma coisa, dedo negador. De todos os nomes que invocava para o dedo indicador, o mais reservado, era o da sua intimidade de solteirona solitária: dedo consolador.

Sem comentários:

Enviar um comentário

arenga sobre o amor

«Tu és a mulher amada: destrói-me! Tua beleza /Corrói minha carne como um ácido! Teu signo / É o da destruição! Nada resta / Depois de ti ...