BEAGLE

Artur C. Clarke, "2001 - Odisseia no Espaço", 37:

«Os que havia tanto tempo começaram a experiência, não eram homens - nem sequer remotamente humanos. Mas eram de carne e osso e, ao olharem através do espaço, sentiram temor, encanto, solidão. Logo que puderam, partiram para as estrelas.
«(...) Depois, lá muito longe, entre as estrelas, a evolução começou a virar-se para outros objectivos. Os primeiros exploradores da Terra atingiram os limites da carne e do sangue; logo que as suas máquinas mostraram ser melhores que os seus corpos, começaram a mudar-se. Primeiro os cérebros, e depois apenas os pensamentos, foram transferidos para novos e brilhantes invólucros de metal e de plástico. E, com eles, passearam entre as estrelas. Já não construíam naves espaciais. Eles eram as naves espaciais.
«Mas a idade das Máquinas-entidades passou num ápice. Experimentando incessantemente, aprenderam a armazenar conhecimentos na estrutura do próprio espaço, e a preservar eternamente os seus pensamentos em geladas grades de luz. Podiam tornar-se criaturas de radiação, finalmente libertas da tirania da matéria.
«Portanto, transformaram-se em energia pura; e, em mil mundos, as cascas vazias de que se desembaraçaram, contorceram-se um momento numa irracional dança de morte, e desfizeram-se em pó.
«Eram agora senhores da galáxia, e o tempo não podia afectá-los. Deambulavam ao sabor dos seus desejos entre as estrelas, e, qual subtil névoa, mergulhavam nos próprios interstícios do espaço».

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