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Vida próxima

Rita esperou o marido à porta da fábrica. Ele entrou e antes mesmo do carro arrancar, ela explicou-lhe ao que vinha.
- Vou-me embora, ou antes, preciso que te vás embora, que saias do apartamento e voltes para casa dos teus pais.
- E os nossos filhos?
- Leva-os contigo, é para bem deles, e também, para eu não dar em maluca. Acordei agora, percebes? Casamos cedo, tivemos dois filhos cedo, e eu quero aproveitar a vida, viver aquilo de que fui privada por ti, por eles e pelo rumo que as coisas tomaram.
- Vais continuar a vê-los?
- Não sei, pelo menos nos primeiros meses não devo lá aparecer, não ia ser bom para ninguém. Já emalei as coisas e avisei os teus pais, fiz-te uma lista com todas as coisas que precisas saber, dentista, pediatra, escola, etcétera. Se tiveres alguma dúvida, falamos ou trocamos ideias por SMS.
- Se é assim que queres, não vou suplicar-te para ficares. Há alguma coisa que possa fazer por ti?
- Fazeres de conta que tu e os teus filhos estão a viver em Marte, e que nós nunca nos vimos. Não penses que eu já não vos amo, mas eu preciso muito fazer isto.

A sombra dos dias

               Um galão direto e uma torrada com pouca manteiga  - pediu a empregada no balcão à colega. Podia até ter pedido antes,...