Rios de chumbo e estrelas no tecto



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Crónica de Sseuma Ts'ien (135-85 a.C.) sobre o túmulo do primeiro imperador da China, Qin Shi Huang Di:
«Shi Huang Di reuniu nas suas mãos todo o Império; os trabalhadores que para aí foram enviados eram em número de mais de setecentos mil; escavou-se o solo até se atingir a água; aí se moldou o bronze e para aí se levou o sarcófago; palácios e todo o tipo de edifícios administrativos, juntamente com maravilhosas louças, jóias e diversos objectos raros, para lá foram transportados e enterrados, enchendo assim a sepultura. Alguns artesãos receberam ordens para fabricar bestas e flechas automáticas; se alguém tivesse querido abrir um buraco para se introduzir no túmulo, estas ter-se-iam imediatamente disparado, apanhando-os de surpresa. Erguia-se aí um verdadeiro palácio subterrâneo, onde delgados fios de mercúrio continuam a desenhar finos traçados de eternos rios; diversas máquinas estavam encarregadas de o fazer correr, passando-as de umas para outras. Ao alto, ficavam todos os signos do céu; em baixo, toda a disposição geográfica. Recorrendo a gordura de foca, fabricaram-se diversas tochas que se calculou poderem durar muito tempo sem se apagar».
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Qin Shi Huang Di viveu obcecado pela imortalidade, não desistiu de tentar encontrar as lendárias Ilhas dos Imortais e teria morrido envenenado ao beber uma poção à base de mercúrio que era suposto torná-lo imortal.

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