Intifada

Nascido o rebento em terras do Utah, os pais organizaram uma festa de rejubilo para familiares e amigos. Acorreram de olhos curiosos e sorrisos abertos, elas mais empenhadas em pegar a criança ao colo, eles, mais interessados no uísque de produção familiar. Mas não faltaram prendas, uma pulseirinha de prata com um penduricalho em forma de espingarda, um guizo com o formato de uma granada, um chapéu de cowboy com dois revólveres cruzados, uma carabina autêntica para ser pendurada bem alto numa parede até ao dia em que fizesse catorze anos e tivesse envergadura para aguentar o coice da arma. Mas, ao contrário das expectativas, a criança cresceu e fez-se um homenzinho, sem grande afeição pelas armas de fogo, não acompanhava os adultos em caçadas, nem derrubava com tiros as latas vazias nos postes do cercado de madeira; e isto porque tinha os ouvidos débeis e sensíveis, que não suportavam a detonação de uma arma. A carabina, ofereceu-a a um primo, e não quis saber mais dela. Apesar de ser uma pessoa solitária e reservada, parecia educado e cordial com todos, o que aumentou ainda mais a surpresa geral quando ele teve o seu colapso existencial. Ninguém na escola pareceu prever o que sucedeu. Zangado com o mundo ou consigo mesmo, subiu a um dos terraços da escola com uma mochila cheia de pedras e começou a arremessá-las para a multidão de alunos que se formara no pátio, isto, até as pessoas reagirem e conseguirem imobilizá-lo no terraço, no momento em que tentava por termo á vida com golpes de seixo na cabeça.

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