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A festa da família

O Natal é um momento mágico que as famílias vivem reunidas sobre o mesmo tecto, consagrando a alegria e o carinho aos deuses do lar
O casal Aniceto vive junto por noblesse oblige, desenvolvendo vidas paralelas com segundas e terceiras pessoas, o primo Roberto planeia uma viagem para o Brasil depois do desfalque no Banco e de roubar as pratas da sogra, Ana e Luís negam que o seu filho mais velho seja toxicodependente, vive nas ruas por se identificar com o Poder das Flores, e da coca, a Susana está noiva e em preparativos para o casamento primaveril, usando um vestido negro de soirée que lhe esconde as negrelas nas coxas e nas costas, o Luís está presente, mas apenas de corpo presente, abomina conviver com os filhos e restante parentela, angustiado por estar longe da amante que bebe champanhe num apartamento acanhado enquanto assiste a um filme imbecil com um argumento que parece escrito por um adolescente inocente a precisar de dar uma queca, crianças e adultos convivem no pouco espaço deixado livre pelos sofás ocupados e pelos presentes amontoados, ramas de um pinheiro natalício sob a égide da sua estrela ilustre, o patriarca, o idoso mas lúcido patriarca, que foram buscar ao Lar onde reside (o filho levou-o na marra para o carro, porque ele não queria voltar à casa onde a nora lhe batia, arrastou-o com a mão fechada em volta do braço como um torniquete porque podia parecer mal e porque não fazia sentido já que todos os velhos do Lar tinham ido passar a consoada com as famílias onde eram recordados com amor).

Dicionário

                O “seu” dicionário não tinha muitas palavras, e entre estas, havia muitas quase virginais, intocadas, outras devassadas e p...