Diz-me com quem Andes...(três excertos sobre o reino do condor)

1
(Huh)

«-Ama suwa, ama llulla, ama q'ella.
- Kampis jinallathac
Dos frases tradicionales, casi litúrgicas, usadas habitualmente como saludo y correspondencia entre los indios andinos; así quedaría la transcripción a nuestro idioma:
- No robes, no mientas, no vaguees.
- Ni tú tampoco».
("Ama Llulla", de Rafael Seoane, Editorial XYZ, La Coruña)
2
(Iskay)

«Não se poderia deixar esquecida a erva a que os índios chamam cuca e os espanhóis coca, que foi e é a principal riqueza do Peru para os que a melhoraram em tratos e contratos [e citando o P. Blas Valera:] Da sua utilidade e força, para os trabalhadores, deduz-se do facto de os índios que a mastigam serem mais fortes e mais dispostos para o labor; e, muitas vezes, contentando-se com ela, trabalham todo o dia sem comer. A cuca preserva o corpo de muitas enfermidades, e os nossos médicos usam-na, em pé, para atalhar o inchaço das feridas, para fortalecer os ossos partidos, para tirar o frio do corpo ou para impedir que nele entre, para sarar chagas apodrecidas e cheias de vermes (...) Tem também outro grande proveito: a maior parte de renda do bispo, dos cónegos e dos demais ministros da catedral de Cuzco proveu dos dízimos das folhas de cuca. Muitos espanhóis enriqueceram e enriquecem com o comércio desta erva».
(Inca Garcilaso de La Vega, "Comentários Reais", tomo I, LXXII, 1606, edição dos Amigos do Livro, Lisboa)
3
(Kinsa)

«De música conseguiram algumas consonâncias, que eram tocadas pelos índios Collas, ou do seu distrito, em instrumentos feitos de tubos de cana, quatro ou cinco tubos, atados em par; cada canudo tinha um ponto mais alto que o outro, à maneira de órgão (...) nelas tocavam os seus cantares compostos em verso medido, os quais, na maior parte, eram de paixões amorosas, ora de prazer, ora de pesar, de favores ou desfavores da dama. Cada canção tinha a sua toada, identificada por si, e não podiam dizer duas canções diferentes com uma mesma toada; e isto porque era o galã apaixonado, tocando música de noite, com a sua flauta, pela toada que tinha dizia à dama e a todo o mundo do contentamento ou descontentamento do seu ânimo, conforme o favor ou desfavor que lhe era feito: e, se dissessem dois cantares diferentes com a mesma toada, não se saberia qual deles queria dizer o galã. De sorte que se pode dizer que falavam com a flauta. Um espanhol encontrou, uma noite, a desoras, em Cuzco, uma índia que conhecia, e, querendo acompanhá-la a casa, ela disse-lhe: "Senhor, deixai-me ir aonde vou, pois sabe que essa flauta que ouves naquele outeiro me chama com muita paixão e ternura, de modo que me força a ir lá; deixa-me, pela tua vida, que não posso deixar de ir, porque o amor me leva arrastada para que eu seja sua mulher e ele meu marido"».
(Inca Garcilaso de La Vega, op. cit., XVIII)

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