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Regresso

"Vamos apanhar um pouco de ar" disse o patriarca no final do almoço de Domingo, almoço não, almoçarada, pança cheia a sacolejar, a comida já em digestão acelerada pelos digestivos a volatizar-se em peidos rebeldes muito antes do bolo alimentar estar convertido em bola de bosta. Enfiaram-se todos no carro e rumaram ao cais marinho do porto. Era Inverno e, apesar do Sol débil e da aragem fria, havia por lá muitos carros parados. Achou um lugar e parou o carro na beira do cais, abriu-se uma nesga de vidro para arejar o ambiente e prepararam-se para uma tarde de regresso à vida pura e às benesses da natureza. Ele puxou do jornal desportivo, levantou-o como um cenário de teatro e começou a ler, a mulher, ao lado, hesitou entre uma sorna e uma revista feminina e acabou por se entreter com o croché. No banco de trás, os três filhos, anularam a seca de estarem diante do estúpido mar com os seus estúpidos barcos e puxaram dos telemóveis e começaram todos a jogar. Ao fim de umas horas, os pais passavam pelas brasas no banco da frente, enquanto os filhos escalavam níveis nos seus jogos infindáveis. O patriarca, por fim, abriu os olhos de par em par e descobriu que um homem com uma cana de pesca se interpusera entre ele e o mar, o que lhe pareceu uma ofensa pessoal grave. "Vamos embora! - rugiu com uma autoridade mosaica - Já ninguém respeita ninguém nos dias de hoje!".

A sombra dos dias

               Um galão direto e uma torrada com pouca manteiga  - pediu a empregada no balcão à colega. Podia até ter pedido antes,...