O próprio

Entrou no stand à beira da estrada e passeou a vista pelos carros expostos. Muito caro, idem , idem, idem, muito escafiado com massa nas mossas e riscos fundos, muito velho, muito caro...Hum! Este não está mau!
- O preço é mesmo este? Não se pode fazer uma pequena atenção em função do aumento do custo de vida, e da crise no Golfo Pérsico?
- Não, lamento, mas não posso, este carro é uma retoma, pertencia a um velhote, estava sempre guardado debaixo de telha num celeiro e só saía com ele para ir á missa, e não era todos os Domingos!
- Pensava que isso era apenas um conto tradiconal português...
- Não, engana-se. O carro ainda não foi limpo e pode encontrar vestígios disso, penas, feno e caca de galinha, o terço enrolado no espelho retrovisor. É pessoa que conhecemos, gente boa e trabalhadora que estima os seus bens e que não vive á toa. Você leva um carro de confiança.
- Aquilo no assento são manchas de sangue?
- Como lhe dizia, trata-se de gente simples que trabalha de sol a sol, que todos os dias da semana se levanta de madrugada para trabalhar e que se deita com as galinhas.

2 comentários:

  1. maria.c21:54:00

    deduza-se a violência...né? Interessante, este :)

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  2. José Lopes08:57:00

    O que fica por dizer é como o teste de Rorschach.
    Pessoalmente, gosto de encontrar esse tipo de reticências, tanto em livros como em filmes.

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