Novembro / Nueve Hembras

Nove ninfas, filhas da Memória, estavam guardadas para quem as procurasse, todas elas eram voláteis e leves, conduzindo os artistas na esteira da sua música ou das suas vozes, a resplandecer no brilho das estrelas e na beleza das flores. Iravam-se quando alguém as tentava igualar, mas mais iradas ficavam se algum mortal se mostrava indiferente à sua presença. Numa manhã de Maio, quando dançavam entre as faias do monte Hélicon encontraram um jovem guerreiro que as observava sem expressão, sentado sobre o escudo. Concentraram nele as suas artes mágicas, e tentaram que ele sentisse emoções, que dançasse ou sentisse a doçura dos versos e, quando isso falhou, procuraram instilar desejo nas suas veias e visões edénicas na sua alma. A fúria culminou a vanidade do seu esforço e metamorfosearam-no. O guerreiro, já morto em cima do seu escudo, foi transformado num loureiro, a mesma madeira com que fora afeiçoado o cabo da lança que lhe trespassara o ventre.

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