INSTRUÇÕES:

Outros dados, e cartas, no final da página
Estende a toalha de linho na corda sob uma luz outonal, cantando como nos anúncios antigos de detergente, deixa-se estar escondida, a matrona arrasta o cesto da roupa com o pé, esconde-se ainda mais, temendo que ela a veja ou suspeite da sua presença, continua a ouvi-la, e vê as peças de roupa a serem meticulosamente presas com molas de madeira, calças, cuecas, meias, saias, blusas, continua a cantoria até o cesto estar vazio, pára um momento, depois volta à ponta da corda, desprende umas quantas peças que vai recolocando na outra extremidade até esgotar o sortido colorido de molas de roupa, sabe que deixou molas sem função na corda, dá uma fugida à horta e arranca folhas de couve das couves de Natal e pendura-as alegremente na corda a enxugar, retoma a operação porque lhe parece que as primeiras peças de roupa que pendurou estão mais que secas e retira-as para o cesto, o que dá como resultado ter mais molas vazias no bolso do avental, volta novamente à horta e a filha sai do seu esconderijo, vestida com roupa andrajosa e rasgada e surripia duas ou três peças para se vestir depois do banho, todas as roupas da corda estão igualmente velhas e rasgadas, queimadas do Sol e da geada da noite, a matrona volta, espantando os seus males com uma voz angelical, passa por cima de um monte de vegetais secos (folhas de couve e alface, ramos de eucalipto, folhas secas de árvore) e completa o trabalho, ou julga completar porque, já o dia declina, e ela começa a retirar as folhas de couve para pendurar a roupa do cesto, convencida que está que saiu do tanque da roupa e está a precisar de bom Sol e vento.

A sombra dos dias

               Um galão direto e uma torrada com pouca manteiga  - pediu a empregada no balcão à colega. Podia até ter pedido antes,...