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Burocracia

O nome Jaime Luís Vagos apareceu na lista de pessoas que deveria comparecer na Inspecção Militar. Os pais, muito constrangidos, esclareceram que Jaime Luís havia falecido três anos antes. Preencheram uma declaração e assinaram. Pouco depois, no mesmo expositor da parede da Junta de Freguesia, apareceu um edital em que Jaime Luís Vagos era acusado de crime de contumácia, e os pais receberam em sua casa uma carta em que se declarava que a ausência injustificada do mancebo na Inspecção Militar podia ser considerado um acto de deserção, passível de prisão e serviço militar acrescido.
Os pais preencheram novas declarações que seguiram as vias oficiais, mas o rastilho estava ateado. As suas vidas sofreram com o crime do filho, sendo alvos de um subtil e crescente ostracismo. Viram-se privados de todo e qualquer papel na vida da comunidade, mesmo das reuniões de condóminos e noites de canasta, ninguém lhes falava na rua e até os seus nomes foram arrancados da caixa de correio por um carteiro mais patriota.
Para acabar com essa perseguição, Jaime Luís Vagos deu à costa, para grande alegria e comoção dos pais. Apresentou-se ás autoridades, justificando os motivos da sua ausência mas, ainda assim, foi julgado e condenado a seis meses de prisão efectiva, com os quais se consideraria saldada a sua dívida à comunidade. Depois disso, Jaime Luís seria livre para iniciar uma nova vida.

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